
La Voyage · O caderno de viagem
A viagem
Trouxe o deserto comigo.
Sahara não começou no ateliê. Começou numa estrada entre Marraquexe e Merzouga, em Outubro, com um caderno pequeno e nenhum plano.
O caderno
Três semanas, quase sem falar.
Parti sozinha. Não ia à procura de receitas — ia à procura de uma temperatura. Chegámos a Merzouga ao fim da tarde e a areia estava exactamente da cor que eu não conseguia obter em chocolate: quente sem ser doce, clara sem ser pálida.
De manhã, o deserto é mineral e silencioso. Ao meio-dia é insuportável e não serve para nada. Às sete da tarde torna-se outra coisa: a luz atravessa a duna de lado e desenha uma única linha. Foi essa linha que ficou gravada — literalmente, mais tarde, na tampa do estojo.
Voltei com pouco: alguns frascos de especiaria, pétalas secas de M'Gouna, um pote de amlou comprado a uma cooperativa a sul de Taroudant, e a memória exacta de uma noite em que o céu tinha tantas estrelas que parecia fazer ruído. Oito peças depois, a cápsula estava fechada.
Mapa emocional
Cada peça é um momento, não um sabor.
A ordem de prova não é técnica: é cronológica. Segue o dia, do chá servido à chegada até à última noite no erg.
- 01Thé à la Menthe
Chá de menta marroquino, chocolate de leite, frescura verde
A chegada, chá servido de pé
- 02Fleur d'Oranger
Água de flor de laranjeira, ganache sedoso, casca amarga
O pátio ao fim da manhã
- 03Rose de M'Gouna
Rosa do Vale das Rosas, chocolate branco, framboesa seca
O Vale das Rosas, antes do calor
- 04Safran & Miel
Açafrão, mel, chocolate branco floral
O mercado de especiarias
- 05Amlou
Óleo de argão, amêndoa tostada e mel, praliné dourado
A estrada do argão, a sul
- 06Datte Medjool
Tâmara Medjool confit, chocolate negro, flor de sal
O oásis de Tinghir
- 07Cannelle & Miel
Canela do Ceilão, mel de Marrocos, ganache negro, quente e simples
A casa de chá, ao anoitecer
- 08Nuit du Désert
Chocolate negro intenso, cardamomo, um sussurro de café e fumo
A última noite em Erg Chebbi
Galeria
O que a máquina fotográfica reteve.



Proveniência
De onde vem cada coisa.
Nada foi substituído por conveniência. Quando o ingrediente não podia viajar bem, a peça ficou de fora da cápsula.
- Nuit du Désert
- Cardamomo verde do souk de Marraquexe · fumo de lenha do acampamento de Merzouga · cacau Chuao, Venezuela
- Rose de M'Gouna
- Rosa damascena de Kelaat M'Gouna, Vale do Dadès · colheita de Maio, antes do calor
- Amlou
- Argão do Souss, sul de Marrocos · cooperativa feminina perto de Tiout · amêndoa de Taroudant
- Cannelle & Miel
- Mel de eucalipto do Médio Atlas · canela do Ceilão moída no dia · cacau de Ocumare
- Thé à la Menthe
- Hortelã nanah de Meknès · chá verde gunpowder servido à maneira de Marraquexe
- Safran & Miel
- Açafrão de Taliouine, planalto do Siroua · colhido à mão ao amanhecer, em Novembro
- Datte Medjool
- Tâmara Medjool dos palmeirais do Draa, Skoura · flor de sal do Atlântico marroquino
- Fleur d'Oranger
- Água de flor de laranjeira destilada em Fez · laranjeiras amargas dos pátios da medina

O estojo
Uma linha, gravada a seco.
A tampa é preta mate, sem imagem. Atravessa-a uma única linha de duna gravada a seco, que só aparece quando a luz lhe cai de lado — como no deserto. O nome da cápsula está em folha de ouro do deserto, discreto, no canto inferior.
A abertura
Por dentro, camurça cor de duna e uma chapa de latão com o número do exemplar, gravada à mão. As oito peças estão dispostas na ordem da viagem, da esquerda para a direita. Na face interior da tampa lê-se uma única frase.
Trouxe o deserto comigo.
€ 15,20 / estojo
Tiragem declarada. Não repomos.
